sexta-feira, 28 de maio de 2010

O time que eu vi

Faço parte de uma geração sortuda que, em sua maioria, tem os primeiros lances esportivos na memória relativos à Copa de 94. Já nos entendemos por brasileiros como campeões do mundo. Criancinha, aprendi que ganhar a Copa é bom, porque todo mundo fica feliz (até a mãe e a vó da gente, que nem entende nada de futebol) e tem carnaval na rua sem ser fevereiro.

Esta minha geração vai para o quinto Mundial em 2010. Somos os mais mal acostumados, privilegiados por ter visto dois títulos e um vicecampeonato pro Brasil. Mais que isso, vimos herois. Confesso que com o tempo deixei de ser torcedor fervoroso da seleção, mas com o que vi dá pra montar um esquadrão invencível.

Na seleção dos meus sonhos não tem Pelé, Garrincha, Zico e nem Sócrates. Destes, eu vejo sempre os mesmos cinco ou seis lances reprisados. E, com todo respeito, não precisamos deles.

Imagine um campo gigante. Uma trave com quantos metros quiser pra cada lado, a perder de vista. Agora suponha que a meta é defendida com a própria vida pela tranquilidade do Dida, a agilidade do Marcos e a técnica do Júlio César. Mas a camisa 1 do meu time, sem mais delongas, é do Taffarel.


A zaga é formada por Lúcio e Juan, orientados por Aldair e Márcio Santos (que não bate mais pênalti). O Aldair grita pro Juan: “Rouba a bola e toca pro Lúcio”, que recebe a ordem do Márcio: “Agora dá um bicão pra frente”.

A lateral direita é do Cafu. Por ali ele joga junto com o Maicon e, um pouquinho mais à frente, de ala, o Daniel Alves. Na esquerda, o Roberto Carlos é o rei. Se tiver falta de longe pra bater, pensei até em uma jogada ensaiada. O Roberto vem correndo, finge que chuta, e quem bate é o Branco, que surge de trás e pega o goleiro caindo. Golaço.

À frente da defesa, os volantes, cinco deles, pra não deixar passar nada. Por ali quem manda em tudo é o Dunga, o capitão da equipe (desculpe Cafu e Lúcio, não tem como tirar a braçadeira do cara). Esse mesmo Dunga, que hoje é criticado por todo mundo, já foi a alma da seleção, o dono do time. E, no meio-campo, berra à vontade: “Marca, César Sampaio! Sobe, Kléberson! Fica, Silva (nessa ele fala com o Mauro e o Gilberto)!”


O Kaká reina sozinho na meia direita. Se receber a bola ali, sai correndo a largas passadas e só para dentro do gol, sob os olhos eufóricos e orgulhosos do Parreira, Felipão e do maluco do Zagallo, os três lado a lado no banco. Do lado oposto do campo, só futebol-arte. Os craques Ronaldinho Gaúcho e o Rivaldo tabelam e se revezam – quando um é o meia-esquerda, o outro chega como segundo atacante. O Ronaldinho bate as faltas nos jogos mata-mata e os dois jogam com camisas 10. Mais pra frente, lá perto da bandeirinha do escanteio fica o Denílson, só pros turcos correrem atrás dele e a gente se divertir com isso.

O ataque é fabuloso. E, por falar nele, a função do Luís Fabiano é ficar parado na área à espera de um cruzamento ou um rebote para guardar mais um. O Bebeto dá passe pro gol de todo mundo e coordena as comemorações. O Ronaldo (ainda magro) vem correndo lá de trás com a bola dominada, fintando fenomenalmente quem cruzar seu caminho. Artilheiro de tudo. Dentro da pequena área, o maior do time, o gênio Romário.

Do outro lado, podem ser quantos e quais forem, de onde vierem, como jogarem. Por aqui, a bola sempre rola mais redonda.




Inspirado em Cai o primeiro zero do placar, de Humberto Gessinger.

3 comentários:

Régis André disse...

Cara, eu não poderia montar seleção melhor - uma vez que não entendo nada de futebol. Só me resta dizer: isso que eu falei!

Boa volta.

thiagoferreiracoelho disse...

Pra frente, Brasil! Salve a Seleção!

Samira Calais disse...

Esse negócio de Copa do Mundo mexe com a gt, não tem jeito, né? E um texto desse, descrevendo a seleção perfeita (quem dera...) me deixou c a sensação que msm q o Brasil ganhe a Copa não vai ser tããão divertido quanto em outras Copas. Sei lá... É esperar pra ver, ne!