quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Saudades de um cara 6

Fui convocado a participar, mesmo que à distância, da biografia de mais dois amigos que se despedem de Viçosa nos próximos meses. E assim, meio sem querer, escrevi um Saudades de um cara falando do Pelé e da Ana Paula.



Primeiro dia letivo de 2005. O trote estava minuciosamente arquitetado pelos recém-veteranos. Os calouros seriam designados aleatoriamente com nomes de personalidades nacionais e carregariam a nova identificação enquanto durasse a brincadeira. Até aí nada de mais. A novidade foi um deles, que, a partir de então, passou a ser o Pelé.


Com poucos instantes de confraternização estudantil, um dos tantos carecas chamou a atenção. Era mais comunicativo, receptivo, mais gente boa mesmo. Aceitava todas as brincadeiras e toneladas de tinta, e ainda realizou um duplo twist carpado na rampinha de grama digno de deixar qualquer Daiane dos Santos boquiaberta. E, no mesmo dia, na primeira das Coalouradas, lá estava ele, trocando idéias com meio mundo. Um cara especial. Agradou a todos.


Pelé marcou sua vida universitária pela camaradagem e por ter sido o sultão de um paraíso mágico, o memorável Sítio do Pelé. Foi efêmero, mas inesquecível. O sítio foi o ponto de encontro de toda a galera do curso (quando ainda existia uma galera no curso) por poucas vezes, mas palco de curtições guardadas com o maior carinho do mundo nos arquivos dos melhores momentos em Viçosa. Depois, já no núcleo urbano, vez por outra ainda nos oferecia uma baladinha, muito agradável e de ambiente familiar.


Com poucos dias de carreira acadêmica nosso parceiro se enveredou com uma amiguinha. Não deu outra, pouquíssimo tempo depois ele e a Ana Paula (carinhosamente apelidada de Ana Paula Pelé por veteranos bobalhões) eram unha e carne. Pareciam espelho um do outro — e olha que a dissertação nem abordou aspectos físicos. Super gente fina, quietinha, sempre com um sorriso em anexo a um singelo “oi” por onde cruzasse o caminho qualquer um. Moça para casar — seria, mas, claro, já vai se casar com o próprio Pelé.


O jeitinho de séria dela pode até ter enganado, mas não colou muito tempo. O que ficou mesmo foi a capacidade provada (querida monitora de rádio!) e o jeito simples. Aquele papo gostoso toda hora.


A dupla, ou melhor o casal, nunca foi desses que deixam de fazer as coisas por estar namorando. Muito pelo contrário: eram figuras certas nos encontros no saudoso Eucalipto dos Coalas. Não bebiam, não usavam drogas, às vezes deviam ficar até meio espantados com tamanha insanidade da juventude que os acompanhava. Mas nunca falharam. Sempre foram pessoas em quem se podia confiar. Dois seres diferentes. Mais dois amigos para sentir saudade.


Isso que eu falei.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Editorial

Parei de escrever sobre passado. Redigi um texto com mais de cinco anos de antecedência. Será publicado no primeiro número da Revista Isso que eu falei. Em breve. Amplie a imagem.


Isso que eu falei.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Saudades de um cara 5

Garçom. Substantivo masculino. Empregado que serve à mesa em restaurantes, cafés, etc. Só isso? Acho que o Aurélio nunca tomou uma cachaça com o Japonês.


É noite de quinta-feira. Jovens peregrinam com destino prévia e tradicionalmente traçado. Parte deles pára no meio do caminho enquanto os outros seguem adiante. São dois mundos distintos, mas complementares, e que mais tarde se unificarão. O meio do caminho é um pequeno boteco conhecido por Bar do Fernando, Bar do Roberto ou, simplesmente, Chorinho. E é lá dentro que encontramos mais um célebre personagem das madrugadas universitárias, o chamado Japonês.


O Japonês não é só um garçom, um mero atendente. É mais que isso, é parte do show. Além de se encarregar com maestria do vai-e-vem de copos e garrafas, doses de compostos alcoólicos e porções alimentícias de data de fabricação atemporal, sempre recepciona os clientes com um cativante e encantador sorriso na face rosada, vez por outra acompanhado de um comentário perspicaz sobre qualquer coisa. Um sujeito aparentemente tímido, mas bom de papo.


Não se sabe ao certo como e quando sua alcunha se fixou, nem tampouco em que circunstâncias os laços de amizade com os aventureiros noturnos tanto se estreitaram. Ninguém nunca ao menos se preocupou em diagnosticar se ele possui ou não ascendência oriental. Não é essa a idéia. O certo é que de um cidadão que poderia muito bem passar despercebido, ele se tornou um cara legal. Um ingrediente a mais no revigorante estabelecimento com agradável som popular ao fundo, pessoal esquisito e clima abafado.


À medida que os ponteiros do relógio giravam, a música acabava e a clientela lentamente se esvaía. Quase todos rumo ao fim da via, onde parte da juventude já se concentrava desde antes, mais preocupada em quantidade de pessoas que em qualidade da noite. Até que restavam no Chorinho apenas três ou quatro rapazes – talvez acompanhados de um grupo de donzelas – e um violão, emprestado pelo bar.


A galera se empolgava, embalada por canções nostálgicas e de valor harmônico ligeiramente destoante do som que há pouco imperara pelo pequeno recinto. Com a consolidação da madrugada, o volume rústico dos berros tornava-se certamente inoportuno. De quando em quando um funcionário da casa era designado a exigir silêncio e tentar recolher o instrumento — e vez por outra recolhia. Aí o boa-praça Japonês entrava em cena e concedia uma segunda ou terceira chance, mesmo sem muita expectativa de que sua confiança fosse retribuída. Paciência nipônica.


Já amigo de verdade, o querido Japonês passou a ser parte da turma. O profissional mais procurado para oferecer uma e mais uma dose de aguardente a baixo custo com limão a tiracolo. Se notava no bar apenas um do grupo, solitário, não hesitava em oferecer um dedo de prosa e questionar quanto aos ausentes. E gostou tanto de ser carinhosamente coroado como Japonês que estendeu a honra a cada um de seus designadores. Sem muito esforço conquistou seu lugar no oriente do nosso peito, dentro do coração.


Isso que eu falei.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Saudades de um cara 4

Não é necessário muito tempo para se tornar inesquecível. É preciso tão somente uma ou outra característica que marque. E que agrade. O cidadão poder surgir num salão embaixo da Folha da Mata, em via pública ou numa cozinha. Foi assim com Luiz Cláudio, Plutão e Abreu. O Saudades de um cara de hoje é tipo um saudade de três caras. Três grandes caras.

Por Matheus Espíndola


Não se trata de metrossexualismo, vaidade exacerbada. Não se trata de humanidade e compaixão absolutas. Também não é o caso de gostar muito de caras bobos. É apenas uma justa e inevitável homenagem a mais três ilustres personagens daquele famigerado conto de fadas chamado 2004/2007.


O primeiro chama-se Luiz Cláudio — raro exemplo heterossexual de um cabeleireiro magnífico, exímio transformador da beleza. Só quem necessita de um corte no cabelo sabe o quanto é impossível sair completamente satisfeito de um salão — principalmente de um salão de macho. Mas para ele não havia segredo. Com sua tesoura de lâmina irregular e seu papo agradável, Luiz, como se tivesse uma máquina que fotografasse pensamentos, parecia adivinhar o desejo de seus clientes.


Entre uma tesourada e outra, ele falava basicamente de mulheres e das baladas viçosenses, embora nunca tenha sido flagrado em uma. Vez por outra, passava rapidamente por seu recinto um amigo ou conhecido, só pra animar a conversa masculina na pitoresca sala. Ao final do serviço, mais uma feliz surpresa: o irrisório preço de sua obra-prima: R$ 5 — bagatela que nunca fez questão de acompanhar a inflação. Não que eu fosse um cara vaidoso...


Já Plutão é um ilustre desconhecido, sujeito como tantos outros que, alcoolizado na balada, necessita de um ombro amigo, um refrigerante, um vômito para se reerguer. E foi exatamente assim que se resumiu sua breve participação em nossa história.


Ele apareceu completamente embriagado, numa noite qualquer, no Bar do Leão – onde os jovens bebem até cair, em plena rua, sem festa, sem nada para comemorar. Embora seu diálogo fosse ininteligível, a comunicação foi eficiente. Plutão mal conseguia se equilibrar, mas recebeu carinho e guaraná de companheiros dos quais jamais se lembrará. “Está bem agora, Plutão?” Ele respondeu com um vômito espetacular. Um atalho para que, instantes depois, voltasse para a realidade. Foi bom tê-lo ajudado. Não que fôssemos tão solidários assim...


Por fim, Abreu. Festa na Casa da Vovó, e, como de costume, tudo totalmente anormal. Uma gargalhada escandalosa, daquelas bem debochadas, ressoa na cozinha da esbórnia. Lembrava um antigo personagem de propaganda de posto de gasolina que, após ser atendido, zombava do frentista: “Põe na conta do Abreu. Se ele não pagar, nem eu!”. Dito isso, ele arrancava e ia embora, regurgitando-se em gargalhadas. A manifestação debochada, do nosso Abreu, foi um ingrediente para que a balada ficasse ainda mais engraçada. No entanto, ele acabou sendo esquecido.


Dias depois, festa no Eucalipto. Como já era de praxe, o comportamento dos presentes era vexatório. No meio de toda a bagunça, ouve-se, novamente da cozinha – onde se concentram os bebuns –, aquela mesma gargalhada. Alguém diagnosticou: “É o Abreu!”. Dessa vez ele foi abordado, explorado, e, para a nossa alegria, reproduziu as piadas do motorista gozador da propaganda do Posto Ipiranga: “Deus lhe pague, porque eu to duro! Háááá há há!”. Dizem que o Abreu, pouco tempo depois, foi embora de Viçosa e deu um calote na república do Fumaça. Ele era de fato muito bobo. Na verdade, a gente gostava mesmo desse tipo de cara.


Isso que eu falei.

domingo, 14 de setembro de 2008

Saudades de um cara 3

A terceira edição do Saudades de um cara é bastante especial. Além da trajetória de vida de uma pessoa fantástica, traz dois recados: boa sorte na Europa e feliz aniversário, Muqueca. Saudades de você.

Há muito tempo atrás (muito tempo mesmo!), ele nasceu. Parecia ter como missão tornar a vida mais simples. Perambulou por aí até o dia em que topou com uma câmera. E o menino de nome estranho se transformou no fotógrafo Reyner Araújo. Dali para o sucesso foi um pulo. A cada clique na máquina fotográfica, engordava a conta bancária, substituía equipamentos e consolidava uma legião de fãs boquiabertos.

Já na faculdade conheceu jovens garotos — quase com idade para serem seus filhos. Isso não foi obstáculo para que se entendessem perfeitamente, compartilhassem pensamentos e fizessem parte da mesma turma por anos. Mas o tempo de parceria nem sempre foi contínuo, já que vez ou outra ele se afastava. Simplesmente sumia do mapa. Quanto aos outros, pacientemente esperavam-no e logo logo ele voltava, mais maluco do que nunca.

Maluco? Talvez. Provavelmente ele tem é uma forma particular de enxergar o mundo. A lente dos seus olhos vê tudo mais belo do que realmente pode ser. Esforça-se tanto para que a sociedade moderna seja menos cruel e mais humana que às vezes acredita que consegue. Por conta disso, seus relatos nem sempre são fiéis à história concreta, mas são carregados uma ternura incomparável.

Recebeu algumas alcunhas para suprir a tortuosa pronúncia do seu nome. Fez-se de Roger, Serginho e tantos outros, até quando foi carinhosamente elevado à categoria de Muqueca. E assim ficou. Simples e direto: o Muqueca, nosso Muquequinha...

É conhecido pelo porte pequeno, porém robusto — físico conseguido graças à natação na adolescência. E, paradoxos à parte, Muqueca conseguiu, por muito tempo, ostentar uma cabeleira esvoaçante mesmo sendo calvo. Particulariza-se por uma risada assaz espontânea, geralmente precedida por um trocadilho obsoleto proferido por ele mesmo.

Nunca concluiu o curso universitário. Havia outras prioridades. Numa dessas, juntou suas economias e nos deixou. Criou coragem e foi seguir a vida na Irlanda depois de, embora ele negue, uma curta temporada em Portugal. Mas voltará. Logo logo.

Pelo bom coração e atitudes benevolentes, vive dizendo que é incompreendido e que vai mudar seu jeito, ser mais mau. Vai nada, Muqueca... Personalidades não mudam assim. Ele sempre será um companheiro especial, disposto a ouvir quem precise e conversar, com as mais doces palavras amigas — quer elas contemplem a realidade ou não.

Isso que eu falei.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Saudades de um cara 2

Parceiros são parceiros, para qualquer ocasião. Sempre dispostos a estender a mão quando requeridos, sem mensurar esforços. Assim, o brilho do sucesso de um reflete no outro. Algumas duplas fizeram histórias de companheirismo e marcaram época juntos, como He-Man e She-ha, Claudinho e Buchecha, Diego e Robinho e Issoqueeufalei e Blog do Cano.


Ao ser convocado a participar do projeto Saudades de um cara, o jornalista Matheus Espíndola não hesitou e, de cara, detalhou, brilhantemente, a trajetória de vida de outro grande camarada: .


Por Matheus Espíndola


A princípio, seria um cara genérico, como tantos outros. Moreno beirando o preto, óculos e cabelos crespos. Até aí nada demais. Mas eis que no momento da sua gênese, surge uma inovação em termos de formato humano. O criador enunciou: “Como uma estrela, evidenciar-lhe-ei os cinco membros. E será o homem-elástico. Seu crescimento nunca se findará”. Assim ele foi sintetizado, e ficou conhecido como Ré.


No dia em que um pé pisou o assoalho do Eucalipto e, dois metros e meio atrasado, chegou seu respectivo joelho sem pêlos, a multidão se perguntava: “Quem será esse viadinho que nos pede abrigo?” A resposta veio dirigida a uma donzela, desejosa de chamas para acender o seu cigarro. “Sou o Ré. E tenho fogo” — disparou, completando com uma cusparada de fumaça ao ar. Foi assim que tal sujeito começou a entrar para o seleto hall dos melhores caras do mundo.


Encontrou na inacreditável admiração por seu amigo de infância Didi o passaporte para se firmar na turma de COM 2004 e, por incrível que possa parecer, tornou-se um cara indispensável. Defensor árduo dos homossexuais, dos homofóbicos e dos ateus, Ré mostrou, por meio de argumentos firmes, ser sempre um cara muito convicto em suas posições.


No entanto, sua principal contribuição veio por meio da disseminação de uma arte na qual era mestre — batizada de “reginaldisse”, em sua homenagem. Tal dom consiste em fazer exatamente aquele comentário inconveniente. A sentença que não deve ser dita, em hipótese alguma, nesse determinado momento, justamente a essa pessoa. E essa foi sua consagração!


Vez por outra era visto sentado em sua cadeirinha de balanço, jogando dominó na sacada de seu apartamento distante, fumando. Às vezes, lá do alto, ele lançava seus braços elásticos, só para cutucar os amigos e dizer qualquer coisa com sua voz equalizada no grave. A frase sempre começava assim: “Hein, caaara...”


Detentor de braços ilimitados, Ré abraçou toda a turma, de uma só vez — e se quisesse, seria capaz de abraçar o mundo. Um companheiro de todas as horas, ou melhor, de “todos os dias”. Aliás, muito ele lamentou, em vão, por ser zoado pelos amigos “todos os dias”. Não havia mal em zoar. O problema é que isso acontecia “todos os dias.”. Agora fica a saudade, pois só temos esse amigo de vez em quando. E como queríamos que ainda fosse “todos os dias”...!


Isso que eu falei.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Saudades de um cara

Inauguro agora esta seção que é mais um antigo sonho utópico a se tornar realidade. Saudades de um cara é um projeto que, desde a derradeira separação entre meu passado e presente profissional, penso em colocar em prática.


Aqui recordarei minhas impressões sobre grandes ícones do meu passado recente. O que vivemos, o que mais marcou. Desde célebres semi-desconhecidos a grandes parceiros. Serão mini-biografias, que, espero, suscitem lembranças nas mentes e corações de muitos. Sintam-se à vontade para complementá-las. Para começar, o maior símbolo de toda uma geração: Paulo Dimas de Oliveira.



— Paulo Dimas...?

— de Oliveira!


A apresentação não deixa dúvidas: ele quer dialogar. Fala fácil, vocábulos eruditos e tom de voz seguro e ao mesmo tempo maleável. Esse é Paulo Dimas de Oliveira, ilustre cidadão viçosense, aventureiro das madrugadas. O sorriso é tão largo e espontâneo que a ausência da arcada dentária superior esquerda quase passa batida. Quando consegue articular um raciocínio, Paulo Dimas é uma figura de excelente troca de idéias. Mesmo quando suas respostas não têm, absolutamente, qualquer relação com as perguntas que lhe são oferecidas.


Amante da música, vive cantarolando sucessos de décadas passadas. Ganhou, assim, a alcunha de Paulo Ricardo. “Mas Paulo Ricardo é um homem alto”, observa, a contragosto. As letras das canções não seguem a rigidez de quando foram escritas e um verso ou outro é suprimido em prol de uma cadência mais intensa. Paulo aprecia o rock brasileiro e a MPB. É mesmo um rapaz latino-americano. Só não tem uma música preferida, tem “várias”.


Por onde passa, encanta a todos com sua doçura e inocência. “Me dá cinqüenta centavos?” “Para quê, Paulo?” “Para comprar cachaça”. “Não tenho...” “Ummmm. E um real?” Às vezes, bem de vez em quando, é tomado por um súbito desejo incontrolável de se apossar da bebida alheia. Mas o que ele não aceita mesmo é o desperdício: se um restinho de líquido sobrou e está dando sopa, chama o Paulo que ele o liquida.


Paulo Dimas de Oliveira tem uma história de vida interessante. Estudou Química, Medicina, várias ciências. Jogou muita bola pros lados do Novo Silvestre – de médio-volante, camisa cinco. Construiu obras, desde que os materiais chegassem, claro. Quando não, aguardava-os com um rolé pela Universidade, de bobeira, esperando-os pacientemente.


A maior paixão de Paulo Ricardo chama-se Crube Atrético Mineiro. Mas o Galo divide o coração de Paulo Dimas com o Framengo, o São Paulo e o Grêmio – um amor em cada canto do país. Fora do Brasil, Paulo gosta só da Roma.


Paulo Ricardo é mais entre tantos cidadãos mineiros, católicos, que saem às noites à procura de um pouco de diversão. Mas ele é um pouco mais que isso: é uma prova de que a felicidade pode ser encontrada nas coisas simples da vida. Vida que ele segue, sendo expulso de um boteco aqui, fazendo amigos que amanhã não vai recordar o nome ali ou só entoando uma doce serenata pelas calçadas para quem quiser parar e contemplar. Ensinando a viver.


Isso que eu falei.