segunda-feira, 9 de março de 2009

Por Ulisses Vasconcellos

O ofício do Jornalismo é, sem dúvida, interessante. É gratificante retratar a vida de tantas pessoas diferentes. O ruim é quando o repórter se propõe a escrever um belo texto, assim o faz, mas não tem espaço no jornal e a matéria fica guardada para outra edição. E, de novo, não é publicada, até que fica velha e é descartada. Para isso, o legal é ter um plano B. B de blog.

Em Itaúnas o ritmo
do Carnaval é o forró
E AINDA TEM MAR, DUNA, RIO, TRONCO,
RAIZ, ARTESANATO, GENTE BONITA...

Ao contrário dos balneários de Guriri e Conceição da Barra, onde imperam o axé e a suingueira durante os dias de Carnaval, a Vila de Itaúnas continua a ser o paraíso dos forrozeiros. Os visitantes aguardavam a noite e a abertura das casas de shows para dançar, arrastar a sandália no chão, girar, mostrar todos os passinhos ensaiados o ano inteiro e bater coxa até o dia raiar.

A Vila atrai pessoas de todos os cantos do Brasil – a maioria, claro, para conhecer de perto os encantos do famoso forró. Outros, no entanto, se contentam em admirar as belezas naturais do rio, do marzão, das dunas... Ou acham a coisa mais divertida do mundo tirar fotos no enorme tronco de pequi-vinagreiro da praça ou na nem um pouco menos imponente raiz de jaqueira. Tem também o pessoal que só quer conhecer gente bonita e se divertir, e, para isso, uma rodinha de violão no meio da madrugada na levada de um samba-rock caiu muito bem.

O artesanato também atraiu a atenção, com peças e adornos corporais para todos os estilos e bolsos. Cordões e brincos dividiram espaço nas barraquinhas com obras de arte como aranhas e escorpiões montados com metal e desenhos em tábuas feitos com aerógrafo retratando figuras como Luiz Gonzaga, Cartola, John Lennon e Zeca Pagodinho. Isso sem falar na simpatia dos artesãos, que, com a maior paciência, explicavam aos turistas as técnicas que utilizam nos produtos que apresentavam, muitas vezes sem se forçar à formalidade de se levantar da rede para a boa conversa.

SONHO REALIZADO
Para completar o clima, o forró foi tocado por bandas de renome entre os adeptos do estilo. No domingo de Carnaval, os trios Sabiá e Nordestino comandaram a zabumba, a sanfona e o triângulo no Buraco do Tatu. Entre os muitos visitantes, estava o casal de namorados João Paulo Ribeiro e Gisele Gonçalves. Eles vieram de Juiz de Fora-MG dançar forró na Vila e disseram que realizaram um sonho. “Há cinco anos eu planejava vir a Itaúnas, mas ainda não tinha conseguido. Realmente é bom demais. Isso aqui que é forró” – declarou o forrozeiro. Ele se prometeu: ainda vai voltar.


Forró no Buraco do Tatu

Bate-coxa até o Sol raiar

Raiz de jaqueira

Tronco de pequi-vinagreiro

Escorpião de metal

Desenhos com aerógrafo

Nascer do Sol na praia



2 comentários:

thiagoferreiracoelho disse...

"O ruim é quando o repórter se propõe a escrever um belo texto, assim o faz, mas não tem espaço no jornal e a matéria fica guardada para outra edição. E, de novo, não é publicada, até que fica velha e é descartada."

É já me aconteceu coisa parecida. A diferença é que o texto em questão não era tão belo assim... hehehe

Bom texto, pena não ter sido publicado. Se bem que, com aquela camisa feia que seu irmão tava usando, talvez não tenha sido tão ruim assim... heheheh

Régis André disse...

"O ruim é quando o repórter se propõe a escrever um belo texto, assim o faz, mas..."

Modéstia é para os fracos!